O Progressistas (PP), partido que nos últimos meses tem se posicionado publicamente como oposição ao presidente Lula, começa a ensaiar aproximações com o PT em estados estratégicos, incluindo a Paraíba.
Enquanto mantém discurso crítico em âmbito nacional, o PP integra a Esplanada dos Ministérios e enfrenta uma histórica divisão interna. Lideranças do Norte e Nordeste tendem a se alinhar a governos de esquerda, enquanto quadros do Centro-Sul se aproximam de projetos de centro-direita. Esse racha explica as negociações regionais que estão em curso.
Para lidar com as tensões internas, caciques do PP defendem uma postura pragmática: a neutralidade na eleição presidencial. A estratégia permite que as lideranças estaduais busquem alianças locais mais vantajosas, com foco na ampliação da bancada do partido na Câmara dos Deputados.
Segundo relatos publicados pelo jornal Folha de S.Paulo, o processo de distensão ganhou força após um suposto encontro reservado entre o presidente do PP, senador Ciro Nogueira, e Lula no fim do ano passado. Nogueira nega a reunião, mas líderes do partido afirmam que ela serviu para reabrir canais de diálogo e facilitar negociações estaduais.
Atualmente, as conversas entre PP e PT avançam em pelo menos seis estados: Piauí, Paraíba, Maranhão, Ceará, Alagoas e Pernambuco. Enquanto em alguns estados o entendimento buscado é apenas pela neutralidade, em outros já se discute alianças formais.
Na Paraíba, o movimento é o mais explícito. Lucas Ribeiro, candidato do PP ao governo, declarou que terá Lula em seu palanque, consolidando uma aliança formal com o PT. A decisão reforça a tendência do partido de adotar estratégias descentralizadas em 2026, mesmo mantendo um discurso nacional crítico ao governo.
Em outros estados, a postura é mais cautelosa. No Piauí, base política de Ciro Nogueira, o PT deve lançar Rafael Fonteles à reeleição ao governo, com apoio de MDB e PSD. O PP busca garantir que Lula não interfira nos interesses locais do senador. Em Alagoas, Renan Calheiros e seu filho articulam chapa majoritária, também preocupados em preservar a autonomia do partido em relação à presidência.
Exemplos como a Bahia, onde o PP integra o governo de Jerônimo Rodrigues (PT) enquanto ACM Neto (União Brasil) desponta como possível candidato ao governo, mostram o dilema do partido: equilibrar alianças locais com coerência nacional, tarefa complexa em um cenário político fragmentado.
Lideranças do PP afirmam que a definição final sobre alianças será postergada até próximo da janela partidária, para avaliar o movimento do tabuleiro político nacional e regional, incluindo possíveis efeitos de federações partidárias.
Fonte: Polêmica Paraíba com G1

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