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Governo Lula eleva imposto de importação de hardware para até 12,6% e pode encarecer PCs em 2026


O Governo Federal oficializou o aumento do imposto de importação para mais de mil itens, incluindo componentes de hardware amplamente utilizados no mercado brasileiro. A medida foi publicada por meio da Comitê-Executivo de Gestão (GECEX), por meio da Resolução nº 852/2026, e está em vigor desde 5 de fevereiro, conforme publicação no Diário Oficial da União.

Inicialmente, circulou a informação de que as alíquotas poderiam chegar a 20% para produtos de hardware. No entanto, uma erata publicada em 25 de fevereiro limitou o aumento máximo para CPUs, GPUs, memórias RAM e placas-mãe a 12,6%. Ainda assim, o impacto no preço final pode ser significativo.

Componentes afetados

A Resolução GECEX 852 alterou as alíquotas para bens de informática e telecomunicações (BIT). Entre os principais componentes impactados estão:

  • Placa de vídeo (GPU)
  • NCM: 8473.30.11 / 8473.30.43
  • Alíquota anterior: 0% a 10,8%
  • Nova alíquota: 12,6%

  • Processador (CPU)
  • NCM: 8542.31.10
  • Alíquota anterior: 0% a 2%
  • Nova alíquota: 7,2%


  • Memória RAM
  • NCM: 8473.30.42
  • Alíquota anterior: 0% a 6,5%
  • Nova alíquota: 12,6%


  • Placa-mãe
  • NCM: 8473.30.41
  • Alíquota anterior: 0% a 10,8%
  • Nova alíquota: 12,6%

Os dados constam na resolução oficial e nas consultas atualizadas do sistema QualNCM.

Importante destacar que placas de vídeo voltadas especificamente para games não se enquadram nessas NCMs citadas, que tratam de componentes destinados a outras finalidades, como circuitos de equipamentos de segurança. Portanto, a princípio, não haveria alteração direta para GPUs gamer classificadas em códigos distintos.

Quando passa a valer

A elevação das alíquotas entrou em vigor na data de publicação no DOU, em 5 de fevereiro de 2026. Algumas taxas específicas passaram a valer a partir de 1º de março, dependendo da data de registro da Declaração de Importação (DI).

A decisão foi aprovada na 233ª reunião ordinária do GECEX, realizada em 28 de janeiro de 2026.

Justificativa do governo

Segundo nota do Ministério da Fazenda, a importação de bens de capital e informática cresceu mais de 33% desde 2022. O governo argumenta que produtos importados, principalmente dos Estados Unidos e da China, já representam mais de 45% do consumo nacional em determinadas categorias.

Embora o teto para hardware tenha ficado em 12,6%, outros itens industriais tiveram alíquotas elevadas a até 20%, incluindo máquinas para fabricação de papel, equipamentos industriais e estruturas metálicas específicas.

Como o aumento afeta o preço final

O imposto de importação é apenas o primeiro passo em uma cadeia tributária complexa. O chamado “efeito cascata” amplia o impacto até o consumidor final.

Etapa 1: Desembaraço aduaneiro

O cálculo começa sobre o valor CIF (produto + frete + seguro). A partir daí:

  • Imposto de Importação (II) incide sobre o CIF
  • IPI incide sobre CIF + II
  • PIS/COFINS-importação incidem sobre CIF + II + IPI
  • ICMS estadual (em média 18%) considera base ampliada

O resultado é o chamado “landed cost”, que pode dobrar ou até triplicar o valor FOB original.

Etapa 2: Logística e margem do importador

Após o desembaraço, o fornecedor adiciona margem de 10% a 15% para cobrir armazenagem e operação.

Etapa 3: Distribuidor e varejo

Atacadistas aplicam markups de 15% a 25%. Já o varejo pode adicionar margem de 25% a 40%, além de custos fixos operacionais.

Quanto pode subir no varejo

Mesmo que o aumento direto pareça limitado, como de 2% para 7,2% em CPUs ou até 12,6% em GPUs e memórias, o efeito acumulado pode resultar em elevação final de 30% a 60% sobre o valor FOB original.

Na prática, isso pode representar:

  • R$ 300 a R$ 600 adicionais no custo inicial por componente
  • Entre R$ 1.000 e R$ 2.000 de aumento no preço final ao consumidor, dependendo da categoria

O impacto tende a ser mais perceptível em placas de vídeo e placas-mãe, que já possuem ticket médio elevado e sofreram elevação para 12,6%.

O que esperar do mercado?

O setor de hardware deve acompanhar as próximas semanas para avaliar se importadores e varejistas absorverão parte do aumento ou repassarão integralmente os custos. Em um cenário de dólar pressionado e alta dependência de componentes importados, a medida pode afetar diretamente upgrades e montagem de PCs no Brasil ao longo de 2026.

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