A rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), em votação no Senado na noite da última quarta-feira (29), abriu uma crise política no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pode ter reflexos diretos na composição ministerial, incluindo a possível queda do ministro do Turismo, Gustavo Feliciano.
Horas após a derrota, aliados do presidente se reuniram no Palácio da Alvorada para mapear os votos contrários e identificar possíveis traições dentro da base governista. A avaliação interna aponta para dissidências em partidos como MDB e PSD, além de um suposto movimento articulado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Articulações e dissidências na base governista
Segundo interlocutores, também teriam participado das articulações o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e o ministro do STF Alexandre de Moraes, em um esforço para barrar a indicação de Messias. Pacheco era o nome preferido de Alcolumbre para a vaga no Supremo, enquanto Lula desejava mantê-lo como potencial candidato ao governo de Minas Gerais.
A indicação de Messias acabou sendo feita mesmo diante de resistências. Nos bastidores, o incômodo aumentou após o advogado-geral da União demonstrar simpatia pela criação de um código de ética no STF, o que teria desagradado membros da Corte.
Votação histórica e votos suspeitos
Entre os votos considerados suspeitos, aliados do governo apontam para o senador Renan Calheiros (MDB-AL) e o ministro dos Transportes, Renan Filho, que poderiam ter atuado contra a indicação em apoio ao ministro do TCU Bruno Dantas, também interessado na vaga.
Com o placar de 34 votos favoráveis e 42 contrários, sete a menos que o necessário, a rejeição de Messias marca a primeira vez desde 1894 que um indicado à Suprema Corte é barrado pelo Senado.
Possíveis mudanças na Esplanada dos Ministérios
Diante do cenário, cresce a expectativa por mudanças no governo. Entre os nomes que podem ser afetados está o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, que, apesar de ter ligação com aliados da Paraíba, é indicado do União Brasil, partido de Alcolumbre. A avaliação é de que a derrota pode desencadear uma reconfiguração política, com possível exoneração de indicados ligados ao grupo do senador.
Ainda na noite da votação, Lula conversou por telefone com Messias e demonstrou cautela ao tratar do assunto. Segundo aliados, o presidente tem defendido que decisões mais duras sejam tomadas apenas após o feriado, com uma análise mais detalhada do cenário.
Mesmo assim, o clima no governo é de tensão. A derrota no Senado atinge diretamente a articulação política, comandada pelo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, que chegou a projetar a aprovação do nome com folga.
Agora, o Planalto tenta reorganizar sua base enquanto avalia os próximos passos — e possíveis baixas — dentro da Esplanada dos Ministérios.
Polemica Paraíba

0 Comentários